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terça-feira, 18 de março de 2014

Alma de papel

Sei que você quer rasgar minha alma inteira
Como um rascunho de papel que não ficou bom,
Tudo que você quer eu não sou,
Mas você não consegue largar-me
Pois o meu pior defeito é o que mais te atrai,
Minha estranheza em olhar dentro de você,
Inspira-te um hedonismo que não consegues controlar.

Sei que você quer acabar com sua necessidade de está ao meu lado
Por ser eu inspiração para seus piores atos,
Mas lhe acompanho no seu trilhar
E juntos ninguém pode nos dominar.

Somos o que chamam de unha e carne,
Mas essa unha encravou,
E sentes a dor de não se importar,
Só vivendo o que o impulso deixar.

Tudo que passamos
Só serviu para afastar-nos,
Distancia que não faz mal
Já que juntos não podemos ficar,
Mas mesmo assim tudo continuará lindo
E não haverá coração para maltratar,
Pois o que somos não tem palavras que possa explicar
E o que foi, e o que é, o que será não deve se apagado,
Tudo se tornando lindas canções
E versos que inspiram
O mundo que você irá sem medo abandonar.

Sei que quer...
Sei que você quer minha alma...


Diogo Ramalho


sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Quando me for

Quando me for por casualidades triviais,
Não deixarei posses para quem quer que seja brigar por elas,
Deixarei meus versos e isso me basta.

O que será lembrado de minha jornada?
Esbórnia em seus vários níveis.
Além disso, a insistência de amar errado,
Sempre escolhendo os enlaces mais complicados.

Amar errado?
Não existe erro em amar
Mas me impuseram a nomeclatura
Por não considerarem correto estar-se aberto as sentimentalidades..

Amor rápido,
Casual,
Arfam,
Toque
Um leve tomar de conta,
Quase posse,
De almas.
Eu,
Você...
Você...
Você...
Você...

Amei e não houve erro nisso,
Não existem categorias, subdivisões
E a vezes que não pude expressar-me como sentimental,
Senti-me frívolo.

Quando me for e não tiver tempo de deixar meus últimos pedidos,
Meu categórico e emocionado verso final,
Carregado de impressões da pós-vida,
Carregado de desapego
E de entrega a não-consciência.
Se me faltar esse tempo,
Prepare seus ouvidos,
Para meus gritos de delírios
Que exaltarão a ti até que me falte o ar nos pulmões
E o gosto seco na garganta que clamará por mais um suspiro,
Por mais um berro emotivo.

Quando me for,
Que venham as festas de encontro ao meu casulo morto
E a certeza que me vou tendo experimentado o amor original,
Bebido de várias taças
E versando apenas o que preencheu.

Quando me for saibam que tenho medo do que tanto exaltei,
Fugindo da teoria piramidal,
Por querer loucamente o começo
E rejeitar de forma desesperada o final.

Quando me for admitirei meu vício de está quase sempre enamorado
E de como isso motivou minha trilha
E de como sucumbi diante de cada dose cavalar de amor que tomei,
Sendo mal-visto por alguns
E mal falado em cochichos discretos.

Nunca temi dedos acusadores,
Quando eu me for esses dedos continuarão em riste
E meus versos atravessarão o tempo,
Além de nossos filhos
E dos filhos destes
E daqueles que julgavam,
Nada se saberá,
Nada.


Quando eu me for...



Diogo Ramalho


quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Pessoas em filas




Pessoas em filas,
Espremidas em catracas,
Seguindo as mesmas filas diárias.

Seguem o rumo,
Seguem os rumos,
Segue o mundo.

A cacofonia incessante de vozes a reclamar,
Sempre aumentando os reclames,
Sempre mais um.

Pessoas em filas,
Chatos rodoviários
Incômodos bebuns.

Transporte aos pedaços.
Quebrou mais um,
Adiante mais um...

Pessoas em filas
Esperando um dia repetitivo.



Diogo Ramalho