quarta-feira, 9 de março de 2011

Um universo entre o setor de diversão


Entre o Conic e o Conjunto Nacional,

Há o pior quadro pintado pelo Estado.

Se fossem nomear a horrenda obra,

O nome provavelmente seria:

O descaso abraça o abandono

Ou...

O nascimento do exército de Viramundo.

Exército esse que marchará até a praça dos três poderes

E de lá ameaçará a ordem

E derrubará o poder desse sistema torto.

Fabricante de indigentes e viciados pelo domínio,

Que escraviza e destroem a vida de milhares

Pelo capricho de alguns poucos senhores.

Mas a cidade é a capital da esperança.

Esperança de que?

Esperança para quem?

Entre o Conic e o Conjunto Nacional

Há árvores que escondem debaixo de suas copas a pobreza

Que a cidade não quer ver,

Mas que desfila sua miséria pelas plataformas da rodoviária.

Entre o Conic e o Conjunto...

Um universo inteiro de degradação e outras mazelas,

Não surge um herói para buscar a paz.

A cidade moderna segue os passos de suas velhas companheiras,

Um levante de mendigos ainda tomará a cidade,

Todos com pedras nas mãos

E quando isso acontecer,

Não digam que eu não avisei!

Diogo Ramalho

sábado, 18 de dezembro de 2010

Olhos e cabelos


O encanto no ato,

Pensamento Abstrato

Do que éramos.

Estranhos familiares

Que distantes apenas vão...

Com fogo nos olhos

E chamas nos cabelos.

Estarei eu ainda encantado?

É claro...

Como quem descobre o valor de cada passo encontrado.

Diogo Ramalho

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

As peripércias do amor involuntário


Há tristeza maior do que passar as noites frias a esperar por um amor que não voltará

Nunca mais...

Pior que perder o grande amor para a morte

E ter a certeza que o amor morreu

No coração da amada ainda viva.

Há em meu peito um sentimento que não cala,

Mesmo no pior dos momentos

Onde a força tento não pensar em quem partiu.

Não há inferno onde eu desça para resgatar o amor perdido,

Inferno maior é o que vivo sem a paz de um amor tranqüilo,

Sem lira para tocar.

Ao menos se a morte fosse minha companheira,

Mas não é minha e nem do amor que se vai,

Há um vazio na alma que me faz sentir um frio incalculável no coração até outrora palpitante.

Há em mim a imensa tristeza de ter perdido um amor que ainda vive,

E que mesmo insistindo em tirar do peito toda dor de amor que sinto,

Como erva daninha ele cresce e cobre meu coração com suas folhas e espinhos,

Desço os sete degraus sem ter morrido por completo,

Sou algo que anda e não sabe para onde vai,

Sou alguém que sorri para esconder a amargura no peito,

Sou alguém que a alma grita e dos meus lábios não saem sons

E sou a infelicidade de todos os casais felizes.

Não há sentimento compartilhado,

Nem sei se Deus se diverte com minhas noites de agonia em meu quarto vazio

Onde rogo por um sono eterno,

Não por medo da vida ou por desespero,

Mas por não ver sentido no mundo que me deixaram.

Não há liberdade em quem ama com fervor alguém que não vem,

Apenas um prisioneiro de meus sentimentos é isso que sou,

Como quem ama a lua e não pode toca-lá,

Como quem abre os olhos e não há nada para ver,

Meus olhos querem os seus,

Minha alma quer companhia,

Sair do mar gelado em que ela bóia esperando o fim de tudo.

O fim de tudo...

De tudo que se chama amor,

De tudo que mais amo,

De tudo que insisto em amar,

De tudo que me prende as lembranças já há muito tempo esquecidas por uns e vividas por outros.

Sou a angustia do mundo que não entendo,

O rancor que expurgo com vontade,

O que só quer um bem,

O que acorda todo dia sem vontade de está de pé,

Pois há dor maior que perder o grande amor para a morte

É amar e ter a certeza que não nutro o que sinto por que quero

E sim porque tal sentimento me invade

Fazendo-me prisioneiro de um amor que a morte não levou,

O que morreu foi o amor no coração da amada ainda viva.

Viva...

Diogo Ramalho

domingo, 6 de junho de 2010

O salto



Da primeira vez foi totalmente por acaso. Correu pelo corredor fugindo da mãe que o perseguia com um cinto na mão, rapidamente entrou no quarto e fechou a porta atrás de si, indo se esconder dentro do guarda-roupa, logo sua mãe estava dentro do quarto e com a voz calma e ameaçadora que só as mães sabem falar disse:
- Saia de onde estiver eu vou te achar e você vai apanhar em dobro.
Dizendo isso ela passou a vasculhar o quarto, dentro do guarda-roupa Ahab tentava não se mexer e muito menos fazer barulho. Seu coração batia forte, pela primeira vez tinha saciado o desejo de matar algo maior que um rato, a vítima foi o cachorro bem tratado de sua tia rica, assim conheceu a morte e entregou-lhe em brasas o presente canino, agora dentro do guarda-roupa ele fugia da punição de seu crime.
Depois de verificar debaixo da cama e atrás das cortinas sua mãe caminha até o último lugar que falta olhar, o guarda-roupa, lá dentro Ahab sabia que levaria mais uma surra memorável, ele nunca desejou tanto está longe dali e quando viu a luz entrar pela pequena brecha que se abria fechou os olhos. Sua mãe abriu o guarda roupa e lá não havia nada.
Enquanto isso a empregada gritava no quintal, roupas de espalhavam pela grama e no meio das roupas Ahab com as mãos sobre os olhos, ao abrir os olhos novamente o garoto de olhos arregalados tinha a expressão mais assustadora que uma criança poderia produzir. Sem entender o que aconteceu ele ficou parado enquanto sua mãe chegava ao quintal e lhe aplicava a surra que lhe prometerá, dessa vez não sentiu dor, lágrimas também não houve, ele era especial, a única coisa que conseguia pensar era no que havia acontecido. Ahab tinha apenas dez anos e nunca conseguiu entender e muito mesmo esquecer o que lhe aconteceu, às vezes se pegava tentando repetir o feito, mas não sabia como.
Aos quinze anos entendeu como funcionava seu dom, sua mãe indo para o trabalho sofrerá um acidente de carro e a noticia deixou o jovem Ahab transtornado, a empregada da casa achou melhor ao levar o garoto ao hospital, nervoso e impaciente ele caminhou de um lado para o outro do seu quarto, sua mãe era tudo que lhe sobrava, queria vê-la de qualquer jeito, então em questão de segundos estava ele parado na frente da porta do quarto de sua mãe no hospital, a confusão de gente no corredor era tamanha que ninguém percebeu que o jovem apareceu do nada, mas chegara tarde sua mãe acabara de falecer. A dor lhe ensinou a usar seu dom era a vontade que o movia, seu desejo profundo de sair daqui e em um piscar de olhos está em qualquer lugar.
Os dias se passaram e cada vez ele ia mais longe até que teve a idéia de ir onde nunca foi antes e seu poder não funcionou, descobriu assim que só conseguia ir até onde seus olhos enxergavam, seus olhos enxergavam fotografias e assim conheceu o mundo, para viver passou a roubar lugares onde chaves comuns não abriam.
Com dezoito anos já não precisava mais roubar para viver, era independente e construirá pra si um esconderijo no coração da selva onde apenas um fotografo ousado e ele sabiam chegar, mas todos os dias ia a sua cidade natal, visitar os pouquíssimos amigos que ainda conservou. Em uma de suas visitas Ahab se viu flechado pelo inconseqüente cupido, Anabela enfeitiçara o suposto mágico, linda, alta, branca como a mais fofa das nuvens e dona de um sorriso que destruiria reinos inteiros.
Todos os dias Ahab ia visitá-la, até que decidiu abandonar seu esconderijo selvagem e voltar a morar na cidade. Ele amou e foi correspondido, a única dúvida certeza que tinha em sua vida virou dúvida. Deveria ele contar seu segredo à mulher amada? Algumas vezes quase o fez, mas para a segurança dos dois decidiu nunca contar. Todo herói tem um vilão pensava ele.
O mundo para Ahab se resumia apenas a seu anjo branco, continuou a ir a outros lugares apenas para conseguir coisas que fossem agradar sua amada. E quatro anos se passaram e o amor que recebia lhe era suficiente, mas para Anabela era a vez de ouvir os sussurros sedutores do mundo e o amor que era rocha começou a ser fragmentado pelas gotas da dúvida e a jovem apaixonada não estava mais sentindo o amor lhe tocar.
Amor, sentimento que precisa sempre ser nutrido e assim Ahab se sentia completo apenas com a presença de sua mulher amada, mas cada vez mais Anabela se esquecia do seu amado até que o amor foi alvejado pelo tiro certeiro da separação, conversas sem sentido, perguntas sem respostas e um fim certo, nada fazia sentido para Ahab e queria ele está no lugar solitário que podia imaginar e lá ele apareceu. O grito de acabou ecoou há 8.848 metros de altitude, no alto do monte Everest, no frio insuportável, sentado na neve, na escuridão total da noite ele chorou, como nunca antes havia chorado, as lágrimas congelavam ao cair no chão coberto de neve.
O sol já aparecia no horizonte e do topo do mundo ele viu o nascer de um novo dia, assim decidiu que voltaria para seu verdadeiro lar, seu esconderijo e assim deixou de ser visto, todas as noite Ahab ia ao quarto de sua amada e no escuro velava o sono de Anabela assim o fez sempre que pode, no entanto uma noite quando se teletransportou, viu algo que lhe feriu mortalmente, seu anjo, a mulher que mais amou estava entregue a outra pessoa, quase que instantaneamente voltou para seu esconderijo e naquela noite os animais puderam ouvir os lamentos do único ser humano que pisava no coração da floresta. Seu dia foi de tristeza e magoa, mas na noite seguinte decidiu se teletransportar novamente ao quarto de Anabela onde tocou-lhe a face e a levou consigo para seu esconderijo, deixando sua amada dormindo em sua cama, sentou-se em uma poltrona próxima e esperou que ela despertasse. No meio da madrugada Anabela despertou e assustada se viu em um lugar estranho e repleto de fotos, olhando em volta seus olhos pararam na figura que sentado se escondia na penumbra do quarto, reconhecendo Ahab ela corre em sua direção e quando chega a sua frente percebe que ele chora.
A voz era séria e grave, ele falava com calma e pausadamente para que ela entendesse cada palavra e assim revelou seu segredo, logo depois derramou-se em declarações de amor que de nada adiantaram, pois com as mãos cobrindo as orelhas e de olhos fechados Anabela repetia baixinho:
- Eu não te amo, eu não te amo, eu não te amo....
O amor findou, tomado por uma fúria irracional, odiando o seu maior amor Ahab segura Anabela e se teletransporta para a boca do vulcão Kilauea onde rapidamente beija os lábios de sua amada e se joga segurando Anabela pelo braço, o calor era infernal e a queda rápida, Ahab olha os olhos de medo de Anabela que chora, os dedos vão se soltando devagar do braço da amada e ao soltar-se Anabela grita:
- Era mentira...
Diogo Ramalho

terça-feira, 4 de maio de 2010

Valentine


Expressão que marca,
Sensibilidade impar,
Percepção em ascensão constante.
Minha alma se alegra,
Em ver que a poesia não tem apenas belos versos,
Mas também lindas semeadoras do campo fértil da poesia,
Mudando, moldando o mundo com penas em punho.

Diogo Ramalho

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Psicólogos de Almas


Passos no telhado da casa que não tenho
Percebo a insuficiência de ser pouco a mim mesmo
Percebo também minha pouca sapiência
Precisos bocados de memória me levam a analises
Levam-me a busca de uma memória a muito perdida
Sombras de minha formação
Espectros de minha própria alma
Busca infinda por compreender-me
Mas umas busca em vão, perdi-me em mim,
Como barco na correnteza em descida vai
Seguindo a maré que me leva ao nada
Quantos o mesmo martírio enfrenta, cantam e contam
Estórias e prosas que para mim parecem balelas
Perceber a verdade é dom de poucos
Viver de ignorância não é um dom
Acomodar-se não é saber
Nem ter fé
É viver de olhos fechados para o poder do saber
Sementes têm por obrigação germinar, mas
A sociedade poda as suas melhores árvores, aquelas que dão Os melhores frutos e...
Oprimem qualquer manifestação oposta aos padrões
Mantêm vivos velhos dogmas repressores,
Velhos pilares da falsa moral
Pilares sustentados por generais hipócritas
Falidos, apátridas e mercenários capitalistas,
Parias do poder militarista e capitalista
São a escoria da raça
Os vermes do sistema
Cabe a nós modernos profetas enfatizar a contrariedade disso
E lutar com penas em punho, lutar pela vitória do poder igual,
Usando essa espada metafórica tão afiada pela filosofia verdadeira
E exterminar o poder opressor, porque agora é hora do novo, é hora dos heróis metafísicos.
Salvadores anônimos, psicólogos de almas.
É o que somos sem admitirmos, então que venha o próximo.



Diogo Ramalho e Thiago Allexander